
2 anos e meio de Lethal Girl e ele chega ao fim.
Mas só o endereço, porquê uma vez blogueira, sempre blogueira.
Nova casa, novo endereço:
www.antesdosquarenta.wordpress.com
Espero vocês lá.
Desde o início dos tempos a mulher já tem sua imagem marcada como a de sexo frágil, sujeito ao pecado, a falta de liberdade e independência física.
Vista como um simples objeto de reprodução, pois era considerada incapaz para o trabalho, a mulher foi submetida e subjugada por uma sociedade machista que se estende pelos séculos.
Desde meninas somos educadas para o que seria o nosso destino por obrigação: saber limpar casa, cozinhar, passar, cuidar das crianças... Enquanto isso, vemos nossos primos e irmãos brincando e sendo educados a serem os provedores da casa e quando é feita pergunta “porque ele não ajuda também” ouvimos sempre a mesma resposta: “Porque ele é menino” .
Na adolescência a diferença é quase um tapa na cara: As meninas são ensinadas a zelar por imagem, pois por qualquer coisa pode ficar “falada”, enquanto os meninos são o orgulho para os pais se tem 3 ou 4 namoradas.
Quando o assunto é sexo a coisa piora: dificilmente você vai ver uma menina saindo para a balada e ouvindo os pais dizerem “se diverte filha, e não esquece a camisinha viu?”. Agora, se for um menino os pais até compram a camisinha. Se a adolescente fica grávida é um desastre: é acusada de desonrar a família, muitas vezes é julgada como uma prostituta, e nos piores, e não tão raros casos, até posta para fora de casa.
O tempo vai passando e a mulher agora é adulta, tem que enfrentar seus problemas e responsabilidades de frente e uma sociedade que ainda por muitas vezes leva aquele pensamento machista de que a mulher só serve para ficar cuidando das casas e dos filhos. O pior é que enquanto têm mulheres que lutam contra esse preconceito, outras aceitam esse fato com a maior naturalidade, pois foram educadas nesse regime de cinderela, se tornando totalmente dependentes de seus maridos e filhos.
Quando o assunto é o casamento o que é considerado normal é que a mulher seja a dona do lar e o homem chefe de família, uma imagem que foi se denegrindo com o passar do tempo.
Se o casamento acaba a culpa é sempre da mulher: ou porque traiu, porque envelheceu, não quis “servir” o marido ou porque não foi capaz de “segurar” o homem. Depois disso a mulher é obrigada a se virar sozinha e se vê perdida, pois pela primeira vez a redoma de vidro foi rompida.
Esse fim de casamento foi tema do livro da psicóloga e escritora Colette Dowling, que classificou esse comportamento como Complexo de cinderela: “Meninas são criadas para achar que na exata hora em que bater o cansaço, medo, insegurança ou até simplesmente a preguiça, um príncipe surgirá no seu cavalo branco e tudo terá valido a pena.” _ diz a jornalista Carol Montone em sua avaliação do livro após de acusada de sofrer desse complexo.
No mercado de trabalho a situação já foi pior, mulheres chegavam a ganhar até 30% menos que os homens apesar de ter o mesmo cargo e cumprir as mesmas funções.
Hoje muitos homens se recusam a serem subordinados por mulheres, pois foram criados com a visão que “lugar de mulher é no tanque” e não na presidência de uma empresa, por exemplo.
Muitas de nós estão na luta para diminuir esse preconceito, mas depois de presenciar tantos depoimentos sou obrigada a dizer que enfrentar e acabar com a visão de milhares de homens machistas é fácil, o difícil é acabar com o nosso próprio preconceito, conscientizar as mulheres que temos capacidade e inteligência de sobra para cuidar e administrar coisas que vão muito além da casa e dos filhos.
Não podemos ter medo de viver, temos que ir a luta, enfrentar nossos medos e receios, mostrar toda nossa capacidade. Porque sim, somos boas, somos as melhores e se tivermos confiança em nós mesmas podemos até convencer a sociedade disso.
Por KaaH Genova

Luís Fernando Veríssimo